Passar para o conteúdo principal

temas transversais

O alcance, a coerência e a eficácia das respostas aos desafios urbanos complexos dependem da sua capacidade para integrar as diversas componentes de política urbana e, em particular, aquelas cuja pertinência extravasa um enquadramento temático específico. Na transição para uma economia circular nas cidades, destacam-se quatro temas transversais:

  • Descarbonização

    A artificialização do solo, a construção e manutenção dos prédios e infraestruturas urbanas e as necessidades energéticas que resultam da sua utilização e dos padrões de mobilidade e de consumo fazem das cidades os lugares da mais elevada intensidade carbónica. O desafio da descarbonização depende assim de modo crítico do funcionamento das áreas urbanas e da capacidades da sua gestão para alterar os padrões e a eficiência da procura energética. A transição para uma economia circular pode e deve contribuir para este desígnio através da promoção da compacidade urbana e de uma gestão e uso eficientes do solo, espaços construídos, espaços verdes e vazios urbanos, de padrões sustentáveis de mobilidade urbana, de produção local de energia renovável e de circuitos curtos e sistemas partilhados de produção e consumo.

  • Contratação pública

    A qualidade do investimento e do consumo público, em particular nos níveis sub-regional e local, constitui um fator crítico para a celeridade da transição para uma economia circular nas cidades e um potencial instrumento estratégico da ação política. Para acelerar a transição para uma economia circular, os atores públicos devem usar a contratação pública como parte integrante e ferramenta estratégica para implementar prioridades de política e objetivos sociais e ambientais e devem fazer o melhor uso da contratação para a inovação para adaptar os serviços públicos à mudanças societais e desenvolver noções estratégicas de circularidade na procura pública.

  • Transição digital

    A transição digital nas cidades vem criar novas soluções de informação, comunicação e gestão na prestação de serviços públicos que podem contribuir para compreender e operar o seu metabolismo e os fluxos logísticos numa lógica de eficiência na utilização dos recursos, essenciais na transição para uma economia circular. Mas ela representa sobretudo um potencial de mudança e transformação de governança urbana promovida por ecossistemas de inovação digital, que surgem como plataformas colaborativas que envolvem os poderes públicos a vários níveis, agregam os cidadãos, as empresas e a academia, num processo contínuo, partilhado, aberto, informado, flexível e incremental de cocriação, refletindo os modelos de organização quotidiana da cidade e de provisão de serviços públicos e os modelos de negócio e organização da produção e consumo.   

  • Equidade e inclusão social

    A transição para uma economia circular envolve uma profunda reestruturação das dinâmicas de relação económica de base local, introduzindo novos modelos de atividade ligados ao encurtamento e encerramento de circuitos de produção-consumo, à intensificação da utilização e ao prolongamento dos ciclos de vida dos produtos, baseadas em plataformas colaborativas de produção e consumo de proximidade, transação entre pares, encontro entre a oferta e a procura, propriedade e exploração partilhada, servitização, reparação e reutilização de bens. A transformação implícita tem o potencial de aumentar a acessibilidade geral a bens e serviços e de incrementar oportunidades empreendedoras de base local, geradoras de valor, indutoras de emprego e redistribuidoras de riqueza e recursos, contribuindo de modo decisivo para a equidade e inclusão social.