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relações urbano-rurais

Cada rede de cidades circulares que venha a ser constituída no quadro da InC2 deverá operar segundo os princípios de ação definidos para este instrumento e focar-se predominantemente em um dos quatro temas prioritários identificados.

Relações urbano-rurais

relações urbano-rurais

As cidades dependem da oferta alimentar, energética, de matérias-primas e de serviços de ecossistemas produzidos na sua maioria fora dos seus perímetros. Os espaços rústicos, por seu turno, dependem do acesso a serviços avançados e de interesse geral providenciados pelas cidades, e da conectividade aos mercados urbanos locais e globais que estas oferecem. Os padrões de urbanização difusa e de ocupação dispersa e as expectativas de valorização fundiária colocam pressões sobre o espaço rústico, condicionam a viabilidade de atividades agrárias e oneram a provisão dos serviços de interesse geral nestas áreas.

Numa visão circular da cidade, as áreas urbanas estabelecem fortes relações funcionais, de complementaridade e cooperação, com as áreas periurbanas e a sua envolvente rústica, garantindo serviços de interesse geral, mercados de proximidade para produtos alimentares, energéticos e valorização de resíduos, e condições de transporte e logística. São também lugares críticos para a sensibilização e mobilização cívica, política e científica para a salvaguarda e valorização dos recursos naturais e paisagens, serviços de ecossistemas e biodiversidade e para a adaptação climática do território onde se inserem. Nesta perspetiva, o desenvolvimento urbano e o desenvolvimento rural são duas realidades interdependentes no desenvolvimento territorial integrado e sustentável.

Numa perspetiva de mudança, as atuais e potenciais relações urbano-rurais devem ser conhecidas, valorizadas e promovidas. Devem promover-se processos de planeamento participados e integrados, que incorporem princípios da economia circular, bem como a implementação destes princípios através de soluções inovadoras de gestão territorial e fundiária. Estas devem fomentar a equidade no acesso aos serviços de interesse geral, a afetação do solo rústico a atividades produtivas, minimizar os impactos da ocupação dispersa, potenciar a eficiência do metabolismo regional  urbano, a utilização sustentável e eficiente dos recursos naturais, o desenvolvimento de sistemas alimentares regenerativos e de corredores de alimentação, a oferta de produtos regionais frescos, a gestão sustentável das florestas e dos solos, a formação de ciclos fechados de nutrientes e de outros recursos e a preservação e recuperação dos serviços de ecossistemas e proteção da paisagem.

urbanismo e construção | economia urbana para a circularidade | relações urbano-rurais | ciclo urbano da água | temas transversais